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AUMENTO DA TAXA SELIC - 10,75%

Na última reunião realizada no dia 18/09/2024, quarta-feira, os representantes do comitê de Política Monetária do Banco do Brasil decidiram aumentar a Taxa Selic de 10,50% para 10,75%.

Toda movimentação realizada foi com base no momento de inflexão do ciclo econômico nos Estados Unidos, resultando dúvidas sobre o ritmo da desaceleração da desinflação e consequentemente sobre a postura do Fed. O comitê avalia que o cenário externo, também marcado por menor sincronia nos ciclos de política monetária entre países, segue exigindo cautela por parte dos países emergentes.

As expectativas de inflação para 2024 e 2025 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 4,4% e 4,0%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2026, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,5% no cenário de referência.

O Comitê avalia que há uma assimetria altista em seu balanço de riscos para os cenários prospectivos para a inflação. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se:

1. Uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado;

2. Uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais apertado;

3. Uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.

Entre os riscos de baixa, ressaltam-se:

1. Uma desaceleração da atividade econômica global mais acentuada do que a projetada;

2. Os impactos do aperto monetário sobre a desinflação global se mostrarem mais fortes do que o esperado.

O Comitê monitora com atenção como os desenvolvimentos recentes da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros. A percepção dos agentes econômicos sobre o cenário fiscal, junto com outros fatores, tem impactado os preços de ativos e as expectativas dos agentes. O Comitê reafirma que uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida contribui para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de risco dos ativos financeiros, consequentemente impactando a política monetária.

O cenário, marcado por resiliência na atividade, pressões no mercado de trabalho, hiato do produto positivo, elevação das projeções de inflação e expectativas desancoradas, demanda uma política monetária mais contracionista. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto de Oliveira Campos Neto (presidente), Ailton de Aquino Santos, Carolina de Assis Barros, Diogo Abry Guillen, Gabriel Muricca Galípolo, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.


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